Advogar ou fazer concurso público?

 

Quem não se deparou com esta dúvida? Confesso para vocês que ao ingressar no curso de direito eu não tinha a menor dúvida. Meu objetivo era concurso público. Almejava ser agente de Polícia Federal. Eu não julgava ter o perfil de um advogado. Todavia, o futuro me reservava algo diferente daquilo que eu pensava e imaginava, até de mim mesmo. Logo no primeiro período da faculdade eu fui trabalhar numa imobiliária, diretamente no departamento jurídico. Como se tratava de uma pequena imobiliária éramos somente eu e mais uma advogada, que, por sua vez, contava com pouco mais de um ano de advocacia. Lá passei não mais do que um ano, mas tempo mais do que suficiente para que eu fosse contaminado pelo vírus da advocacia, logo ser advogado passou a ser meu foco. Sempre trabalhando/estagiando em escritórios pequenos, assumindo uma postura profissional nos limites da lei, ser advogado era o que me importava. Daí, seis anos após ingressar no curso de direito (levei um ano a mais em razão de ter trancado a matrícula por dois semestres em razão de um acidente que sofri), lá estava eu na minha formatura que, caprichosamente, foi marcada para o dia anterior àquele em que eu me submeteria à segunda fase do exame da ordem. Não houve tempo para comemorar a formatura, eu tinha que voltar o mais rápido possível para casa, as comemorações ficaram para o dia em que recebi a notícia da aprovação no minha primeira tentativa de aprovação no exame da Ordem. Enfim, advogado!

Com a carteira de advogado na mão e diante de todos os desafios que se apresentam a qualquer recém advogado, logo bateu aquela angústia Teria eu feito a escolha certa? Não teria sido melhor dedicar-se aos estudos para aprovação em um concurso público? Afinal, um salário no final do mês seria bem melhor do que a incerteza de cada início de mês.

A estabilidade é sem sombra de dúvidas a maior vantagem do serviço público. Salários pago em dia, geralmente maior do que aqueles pagos pela iniciativa privada. Aposentadoria integral ao completar o tempo de serviço ou idade, são outros pontos favoráveis. Todavia, há também seus perigos. A carreira pública pode levar à estagnação profissional. Muitos quando optam pelo serviço público não miram diretamente na carreira que desejam, postulam cargos mais acessíveis para depois se dedicarem aos seus objetivos e ai, com a tranquilidade proporcionada pela estabilidade, alguns de acomodam e permanecem exercendo funções as quais jamais quis exercer definitivamente.

Em contraponto ao serviço público, estabilidade é algo que o advogado autônomo só vai saber o que é após oito a dez anos de efetiva militância na advocacia. A vantagem é que os ganhos de um advogado é ilimitado. Num dia você pode estar “vendendo o almoço para comprar a janta” e no dia seguinte estar no melhor restaurante da cidade fechando o contrato da sua vida. A advocacia é desafiadora, um dia nunca é igual ao que passou. A advocacia não é profissão para quem gosta de rotina. É importante que o advogado autônomo seja, minimamente, organizado financeiramente, para poder equacionar a questão a instabilidade e que saiba valorizar o seu maior patrimônio, seus clientes.

Muitos foram os momentos de adversidades, situações em que pensei que teria sido melhor ter feito um concurso público. Hoje, com doze anos de advocacia, sei que fiz a escolha certa, que advogar era o que de melhor eu poderia fazer não só para mim, mas também para minha família e sociedade.

A melhor escolha é aquela que te faz se sentir bem. Onde você é capaz de cumprir o seu propósito para o seu próprio bem, para o bem de sua família e da sociedade.

Advogar ou fazer concurso público? A resposta é simples! Seja o que te faz se sentir bem!

 

 

​​​​© 2015 por WaltenirCostaAdvogado.  Criado com Wix.com

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